quinta-feira, 6 de novembro de 2008

MANUAL DE PRÁTICA DE ENSINO


Profª Ms. Isabela Marotto

INDICADORES PARA O MOMENTO DE SALA DE AULA


Elaboramos estes indicadores apresentando possibilidades que possam, de alguma forma, colaborar com o trabalho pedagógico de docentes em sala de aula.

O ensino de 3° grau deve construir um estreitamento entre o conhecimento científico e o conhecimento do cotidiano, deste modo, os docentes devem investir em alguns fatores como:

- colaborar de forma mais efetiva no mercado de trabalho,

-permitir aprimoramento nas qualificações profissionais,

-relacionar de forma multidimensional o cotidiano com o conhecimento científico.

Assim, pensando no trabalho realizado em sala de aula e o mercado de trabalho, além da especificidade técnica (conhecimento do conteúdo) este deve apresentar:

- fundamentação psicológica, antropológica e sociológica; até porque o contexto no qual este aluno se insere exige discussão e entendimento nas relações homem X sociedade X natureza,

- referências éticas = condutas humanas e profissionais,

- organização do conhecimento (os processos formativos devem envolver aprendizagem e desenvolvimento das competências),

- participação do aluno nas informações,

- possibilitar ao aluno visão de sua formação,

- debater sobre a concepção do perfil profissional,

- compreensão da unidade entre conhecimento e prática e suas relações,

- preocupação e estudo direcionado para as questões paradigmáticas da profissão.

Neste caso, o trabalho com as competências servem de referência, visto que são etapas importantes da formação, constituindo o perfil do profissional em relação ao saber, saber ser (atitudes) e saber fazer (habilidades); podendo assim, responder à uma demanda social dirigida para adaptação ao mercado e as mudanças. Para isto, apresentamos três competências que o aluno deve desenvolver no transcorrer do curso:

1. Competência objetiva

Conhecimento relacionado com a formação instrumental qualifica o indivíduo para agir com a competência técnica e destreza no mundo do trabalho de acordo com seu ciclo de escolarização. São as competências adquiridas nos módulos, referindo – se aqui especificamente, aos conhecimentos pertinentes á área de saúde.

Conhecimentos da natureza objetiva – instrumental

- fisiológicos

- biológicos

- físico / químicos

- matemáticos

- fenômenos naturais e causados pelo homem

- relações do homem com a sociedade e o meio ambiente

Fontes de conhecimento

- materiais/ instrumentos

- ser humano

- objeto naturais e construídos pelo homem

- fenômenos sociais e da natureza

2. Competência social

Conhecimento relacionado com a busca de compreensão de como se criam, sustentam, reforçam e/ ou declinam as relações e as instituições sócio – culturais no contexto do qual se faz parte. Objetiva uma qualificação social que se manifeste na prática crítica e reflexiva da cooperação e superação dos pré – conceitos sociais. São as relações que se estabelecem entre as pessoas, os grupos, as equipes de trabalho e a melhor compreensão das diferenças de comportamento, fala (uso da linguagem), gestual e atitudes.

Conhecimento da natureza social – praxiológica

- históricos

- antropológicos

- sociológicos

- ideológicos

- políticos – econômicos

Fontes de conhecimento

- regras de convivência

- vida nos grupos – relações de poder

- modelos de grupos

- hábitos

- princípios ético – morais

- reconhecimento de si dentro do grupo

3. Competência comunicativa

Conhecimento relacionado com o saber se comunicar e entender a comunicação dos outros, enquanto processo reflexivo que desencadeia objetivamente iniciativa do pensamento crítico. Sabe expor suas idéias expressando – se com clareza (poder comunicador), exercitando o escutar o outro e elaborando , desenvolvendo o senso analítico.

Papel do programa (coordenadores pedagógicos): aproximação constante a estas competências.

Papel do docente: compromisso, vontade, formação permanente.

Conhecimento da natureza comunicativa – histórico – hermenêutica (manifestação das representações sociais)

- ampliação de vocabulário

- descrição gráfica ou escrita das coisas

- relato e troca de experiências

Fontes de conhecimento

- da competência objetiva

- da competência social

No que refere-se à qualificação específica de cada área, faz-se necessário a incorporação de ações apropriadas, pensando na formação de competências que se adequem às características do curso, assim convidamos os docentes a:

- considerarem os conhecimentos como recursos a serem mobilizados,

- trabalharem regularmente por problemas,

- negociarem e conduzirem projetos com seus alunos,

-adotarem planejamento flexível e indicativo a improvisar,

-implementarem um novo contrato didático

-praticar uma avaliação formadora em situação de trabalho.

Neste sentido, elencamos seis domínios de competência a serem trabalhados gradualmente durante o transcorrer do curso:

1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem

- conhecer os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de aprendizagem,

- trabalhar a partir da representação dos alunos,

- trabalhar a partir dos erros e obstáculos à aprendizagem,

- construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas,

- envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento.

2. Administrar a progressão das aprendizagens

- conceber a administrar situações – problema ajustadas ao nível e possibilidades dos alunos,

- adquirir uma visão longitudinal dos objetivos de ensino,

- estabelecer laços com as teorias subjacentes e ás atividades de aprendizagem (relacionando- as com as experiências)

- observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem, de acordo com uma abordagem formativa,

- fazer balanços periódicos das competências (avaliação individual) e tomar decisões de progressão.

3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação

- administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma,

- fornecer apoio integrado, trabalhar com os alunos portadores de grandes dificuldades,

- desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mútuo.

4. Envolver os alunos em sua aprendizagem e seu trabalho

- suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação com o saber, o sentido do trabalho e desenvolver a capacidade de auto – avaliação,

- favorecer a definição de um projeto pessoal no aluno

- negociar diversos tipos de regras e de contratos.

5. Enfrentar os deveres e dilemas éticos da profissão

- participar da criação de regras de vida comum referentes ao módulo, às sanções e à apreciação de conduta,

- analisar a relação pedagógica, a autoridade, a solidariedade e o sentido de justiça,

- prevenir e lidar com as agressões verbais ocorridas em sala de aula.

6. Administrar sua própria formação contínua

- saber explicitar as próprias práticas,

- estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação contínua

Sugerimos alguns indicadores metodológicos

Estabelecimento de um novo contrato didático

Estabeleça o contrato didático, ou seja, faça um acordo com os discentes. Neste acordo deve ser estabelecido: o que fazer (em relação a posturas e atitudes, ao agendamento e entrega de trabalhos, responsabilidades, apresentação da metodologia de trabalho e dos critérios de avaliação, situações que se relacionem com o momento sala de aula) e o que evita (atrasos, entradas e saídas em sala de aula, agressões verbais); deste modo, tanto alunos quanto professor estabelecerão, em comum acordo, o que deve acontecer no transcorrer da disciplina.

Além do que, deverá ser lembrado ao aluno que na pedagogia voltada para situações – problema, o seu papel é de implicar –se, participar de um esforço coletivo para construir um projeto e construir, novas competências. Ele (o aluno) tem direito a ensaios e erros, e é convidado a expor suas dúvidas, explicitar seus raciocínios, a tomar consciência de suas maneiras de aprender, de comunicar-se; que este aluno se torne um prático reflexivo; e esta idéia deverá estar acampada ao contrato didático.

Ao docente compete:

- a capacidade para incentivar e orientar o tateamento experimental;

- a aceitação dos erros como fontes de regulação e de progresso, desde que analisados e entendidos;

- a valorização da cooperação entre alunos em tarefas complexas;

- a capacidade de explicitar e de ajustar o contrato didático, de ouvir as resistências e levá-las em consideração;

- a capacidade de engajar-se pessoalmente no trabalho, não ficando somente na posição de avaliador.

Métodos

Além dos métodos expostos abaixo, apresentamos algumas “Sugestões para o docente durante a aula”:

No início de cada aula, esclarecer os objetivos desta, demonstrando a importância destes novos conhecimentos para a seqüência de informações ou atender necessidades futuras;

- provocar a explicitação da contradição entre idéias e experiências (relação de fatos com o conhecimento científico);

- criar condições didáticas nas quais os alunos desenvolvam métodos próprios de compreensão e assimilação de conceitos e habilidades (explicar como resolveu o problema, fundamentar uma opinião, tirar conclusões sobre dados da realidade);

- estimular os alunos a expor e defender pontos de vista; conclusões sobre observação ou experimento e confrontá-la com outras opiniões;

- criar situações didáticas/ discussões, exercícios, conversação dirigida em que os alunos possam aplicar conteúdos a situações novas ou a problemas do meio social.

O Método de Exposição (aula expositiva): mesmo que a aula planejada seja expositiva, o professor precisa ter a idéia de que não deve ser somente ele (a) o que fala.

A aula expositiva deve apresentar:

a) demonstração e exemplificação: representar fenômenos e processos da realidade, ou seja, este é o primeiro momento de relacionar o conhecimento pertinente ao módulo com as experiências e acontecimentos da realidade

b) ilustração: apresentar fatos através de gráficos, mapas, esquemas, dados, instrumentalizando e “munindo” melhor os alunos de informações pertinente a sua realidade.

A aula expositiva pode ser apresentada aos alunos de forma dialogada, favorecendo o trabalho de cooperação entre professor e alunos e desenvolvendo no aluno a capacidade de comparar, exemplificar, extrapolar informações; levando assim, o aluno a organizar melhor e aprofundar os conhecimentos absorvidos na exposição.

O Método de Trabalho Independente: é todo trabalho individual realizado pelo aluno, sendo que as tarefas devem ser dirigidas e orientadas pelo professor; e este método implica em:

a) tarefa preparatória - neste momento os alunos falam ou escrevem o que pensam sobre o assunto, é uma coleta de dados baseada em suposições e observação, os alunos também podem responder breve questionário oral onde o professor com o uso de tarjetas reproduz as opiniões; tarefa de assimilação do conteúdo: uso de exercícios de aprofundamento e aplicação dos temas já tratados através de estudo de caso, solução de problemas, pesquisa com base em um problema novo;

b)tarefas de elaboração pessoal (trabalho individual) - as tarefas a serem executadas devem estar definidas de forma clara para os alunos, assegurando as condições de trabalho (material, disponibilidade, auxílio de referencial bibliográfico, espaço de silêncio).

Tarefas deste tipo devem intercalar a aula expositiva, partindo do pressuposto que também podemos conciliar o trabalho individual com o método de solução de problemas.

Os discentes devem:

- saber precisamente o que fazer e como trabalhar (sistematização de trabalho)

- desenvolver atitudes a ajuda mútua

- dominar técnicas de trabalho (uso do dicionário, leitura, destacar idéias principais e secundárias do texto).

O Método de Elaboração Conjunta (conversação didática) - É o debate onde os alunos devem formar opiniões fundamentadas sobre os assuntos relacionados a área saúde e suas inter-relações, se aproximando da organização lógica dos conhecimentos. Aqui o professor deve ser o instigador, fazendo com que o aluno elabore cada vez mais suas opiniões de forma clara, coerente, onde não somente elabore uma simples resposta, mas que esta seja bem fundamentada.

O Método do Trabalho em Equipe - Existem vários tipos de trabalho em equipe, senão vejamos:

- Debate

- Phillips 66 – 6 grupos de 6 pessoas (ou 5 grupos de 5 pessoas), discutem uma determinada questão em poucos minutos ( 10 a 15 minutos) e apresentam suas conclusões

- Tempestade mental – dado um tema os alunos dizem o que vem à cabeça, o que for relevante faz parte da aula ( uso de tarjetas)

- GV (grupo de verbalização) - GO (grupo de observação) – a turma é dividida em dois grupos, os alunos do grupo 1 formam um círculo central (GV) que irá discutir o tema proposto, enquanto os demais alunos, grupo 2, formam um círculo em volta (GO) observando os conceitos empregados e a elaboração das idéias. Depois inverte-se as posições, os alunos do GV tornam-se GO, e alunos de GO em GV; após faz-se um debate com todos. O professor deve ser um fomentador de dúvidas e questionamentos para que este tipo de trabalho seja interessante e não cansativo.

SUGERINDO:

O Estudo de uma Situação - Problema é organizado em torno da resolução de um obstáculo (previamente definido ou não); onde uma situação de caráter concreto permita ao discente formular hipóteses e conjecturas, não se tratando de um estudo aprofundado, nem de um exemplo de caráter ilustrativo. A situação proposta deve ser vista como um enigma a ser resolvido, oferecendo resistência suficiente, levando o aluno a investir seus conhecimentos anteriores. O trabalho da situação – problema funciona como um debate científico, onde a validação da solução resulta do modo de estruturação da própria situação.

Etapas:

- leitura sincrética da realidade

- identificar os pontos chave do problema (no que foi observado o que é realmente importante – variáveis, determinantes)

- operações analíticas( entender o problema em suas manifestações empíricas ou situações)

- confrontar a realidade com a teorização e formular hipóteses

- aprende a generalizar o aprendido para utilização em situações diferentes e discriminar em que circunstâncias não é possível ou conveniente a aplicação sabendo qual escolher

Considerando que um dos desafios metodológicos seja o trabalho com SITUAÇÕES PROBLEMA, devemos nos atentar a sua dimensão procedimental – SABER FAZER (o que resolver e como resolver), e a dimensão atitudinal – VALORES E ATITUDES (de que modo / maneira resolver).

O Estudo do Meio (pesquisa), onde o conteúdo ou determinado tema) é pesquisado, estudado e relacionado com os fatos sociais, políticos, econômicos e culturais, possibilitando assim, o levantamento, a discussão e a compreensão de problemas concretos do cotidiano (neste caso, o cotidiano da área de saúde).

Para este estudo são necessários:

- planejamento: levantamento de informações necessárias (acontecimentos, dados, relatos- história oral, documentação)

- execução: relações estabelecidas entre conteúdo e realidade, conhecimentos e fatores culturais, econômicos, sociais e políticos

- exploração dos resultados e avaliação: cruzamento de informações, debate e conclusões.

O Estudo de Caso que é uma técnica que consiste na apresentação de situações reais, para que os alunos analisem e proponham alternativas de solução, é uma variação da técnica de solução de problemas. Existem dois tipos de casos que podem ser propostos aos alunos: caso- análise e caso- problema, no caso análise o consenso geral não é o propósito almejado, sendo que no caso – problema a definição da solução precisa ser estabelecida pelo grupo.

Lembrando que : podemos nos utilizar como Recursos Audiovisuais de:

º álbum seriado º modelos anatômicos

º quadro de giz º gráficos

º geomapas º flanelógrafo

º quadros º transparências

º rádio (FM) º cd’s

º dvd º televisão

º gravuras º filmes

º fotografias º fita de vídeo

O RETROPROJETOR: é um meio tecnológico bastante utilizado. Deve ser utilizado pelo professor como meio de facilitar seu trabalho no que diz respeito à organização e seqüência do conteúdo. A transparência deve conter as informações - chave ou até mesmo um esquema de sua aula, e não textos corridos; podendo também apresentar as relações do conteúdo com conteúdos vistos anteriormente.

Alguns cuidados a ter em conta na sua utilização:

- o retroprojetor deverá ser colocado à direita do seu utilizador, o qual estará de frente para o grupo,

- a transparência poderá ser xerocada (transparência com tarja branca no lado/ e ou de textura mais “grossa”, de frente e verso lisa), impressa (transparência de verso rugoso), ou feita a mão (frente e verso lisa) com canetas adequadas para transparência.

- as cores amarelo, marrom e vermelho devem ser utilizadas somente para marcar, sublinhar e as cores preto, verde e azul para escrever.

A FITA DE VÍDEO deverá ser assistida pelo docente antecipadamente, verificando a pertinência e adequação ao conteúdo e à maturidade dos alunos, selecionando os trechos a serem trabalhados (quando necessário); servindo esta como apoio/ e ou complemento de informação para um determinado assunto. O professor deve utilizar este meio para instigar a observação dos alunos , onde esta seja analisada e discutida após o momento em que for vista.

DIRETRIZES PARA REALIZAÇÃO DE UM SEMINÁRIO

Origem etmológica doa palavra: Seminário significa viveiros de plantas onde se fazem as sementeiras; significado que indica a força do seminário e aponta seu papel de lançar novas idéias, novas perspectivas.

Conceito: método de estudo utilizado quando existe proposta de debate e aprofundamento em determinado assunto com trabalho de pesquisa.

Alguns critérios:

- contato com o texto básico, criando condições de debate para análise do mesmo;

- o texto roteiro deverá ser analisado de acordo com as idéias que o autor apresenta, porém, deverá levantar problemas relacionados com a vivência prática, que tanto o professor quanto os alunos já possuem;

- compreensão do conteúdo temático;

- interpretação em uma perspectiva de julgamento e crítica da mensagem;

- discussão da problemática;

Além destes, podemos analisar critérios relacionados com a apresentação, desenvolvimento e recursos didáticos utilizados.

ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO SEMINÁRIO:

Etapas:

Planejamento:

entrega dos temas/ textos

cronograma de datas para apresentação

indicação de onde buscar dados, informações, material extra

Desenvolvimento:

preparação do texto / tema: leitura, esclarecimento de idéias, busca em outras fontes

elaboração de um roteiro –texto ( resumo /esquema)

Apresentação (30%) – 0,70 ptos.

a) Voz (audível, flexibilidade, pausa) – 0,20 ptos.

b) Expressão Verbal (pronúncia, gramática, linguagem técnica, objetiva e compreensível pela platéia) – 0,25 ptos.

c) Expressão Cinética (postura, movimentação frente á platéia, entusiasmo) -0,25 ptos.

d) Utilização de táticas para manter a atenção dos participantes

Desenvolvimento (50%)- 0,50 ptos.

a) Introdução (apresenta o assunto e os objetivos de forma clara) – 0,25 ptos.

b) Conteúdo (pertinente com os objetivos, seqüência lógica e clara (continuidade), domínio (apresenta o tema com desenvoltura) – 0,50 ptos.

c)Conclusão (reúne sinteticamente as idéias principais do tema apresentado) – 0,25 ptos.

Recursos Didáticos (20%) – 0,30 ptos.

a) Qualidade (tamanho e forma das letras, foco, quantidade de informações em cada visual) – 0,10 ptos.

b) Uso Eficiente (quadro de giz, transparência, cartazes, tarjetas,flip chart) -0,10 ptos.

c) Clareza de Interpretação (raciocínio lógico) - 0,10 ptos.

TRABALHO EM EQUIPE

O trabalho em equipe pode ser visualizado de duas formas: a equipe lato sensu e a equipe stricto sensu.

Na equipe lato sensu = as pessoas limitam-se a discutir respectivas idéias e práticas, sem decidir quase nada, sem definir posicionamentos com clareza.

Se todos se protegerem e oferecerem uma “superfície lisa” em relação aos seus posicionamentos, as trocas permanecerão vazias. Se forem autênticos, porém, mal conduzidos, deixam feridas duradouras.

Os membros das equipes duradouras demonstram grandes competências de comunicação.

Já na equipe stricto sensu = funciona como coletivo, tudo depende do que se partilha, exigindo a divisão flexível do trabalho e um acordo regular sobre a programa, as atividades e a avaliação.

Mesmo em uma equipe democrática, alguns exercem influência sobre as decisões da equipe, ao passo que outros têm a impressão de se submeter. Sem competências de regulação que permitam expressar tais opiniões e propor um equilíbrio melhor, a equipe irá dissolver-se ou fazer uma paródia de cooperação.

Trabalhar em equipe é uma questão de competências (definir quem faz o que!) e pressupõe igualmente a convicção de que a cooperação é um valor profissional:

- saber trabalhar eficazmente em uma equipe, deixando de ser uma pseudo – equipe a uma verdadeira equipe,

- saber discutir os problemas que requerem cooperação intensiva,

- saber encontrar e negociar as modalidades de trabalho em função dos problemas a serem resolvidos,

- saber perceber, analisar e combater resistências, obstáculos e impasses ligados á cooperação.


Partilha de recursos

Partilha de idéias

Partilha de prática

Partilha de alunos

Pseudo- equipe = arranjo material

X




Equipe lato –sensu= grupo de permuta

X

X



Equipe stricto –sensu=co- responsabilidades

X

X

X

X

Schordenet in PERRENOUD (2000) insiste que “ é preciso abandonar imperativamente a ilusão dos discursos sobre a paz e a harmonia. O conflito faz parte da vida, é a expressão de uma capacidade de recusar e divergir que está no princípio de nossa autonomia e da individualização de nossa relação com o mundo. Uma sociedade sem conflitos será, ou uma sociedade de ovelhas, que se curvam sem resistência diante da autoridade, ou uma sociedade na qual ninguém pensa, o que exclui a divergência, isto é, o progresso que nasce do confronto sobre a ação a empreender. O trabalho cotidiano da mediação, consiste impedir que cada divergência degenere em conflito, esta é a competência maior, além do que consiste igualmente em ver a realidade de frente”.

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

O processo avaliativo não deverá ser somente somativo (“classificando” os alunos de acordo com o nível de aproveitamento através da nota) e sim, ser diagnóstico (constatando o domínio de pré-requisitos básicos), e formativo (onde o professor detecta e identifica deficiências trabalhando com estas).

A avaliação no processo ensino- aprendizagem deverá ser:

- funcional: que verifica em que medida os alunos estão atingindo os objetivos,

- orientada: não visa eliminar alunos, mas orientar o processo,

- integral: analisa e julga todas as dimensões do comportamento, considerando o aluno como um todo,

- vista como um processo contínuo e sistemático.

Alguns atributos que devem ser trabalhados durante as aulas:

-raciocínio lógico,

-habilidade para novas qualificações,

-capacidade rápida para decidir e agir diferenciadamente,

- iniciativa para resolução de problemas,

- postura ética diante das resoluções e atitudes.

Para isto, alguns aspectos metodológicos devem ser considerados na avaliação:

- a definição dos objetivos,

- o estabelecimento do conteúdo,

- a escolha das técnicas:

* método – postura / papéis do professor, do programa

* técnicas – aula expositiva, trabalho:individual/ equipe, estudo de caso, resolução de problemas, pesquisa,seminário,

- capacidade de acionar o processo de apreciação e redimensionamento do desempenho do aluno,

- a definição de formas de avaliação e intervenções adequadas aos alunos que necessitarem de mais atenção em relação à sua aprendizagem,

- a determinação de critérios de avaliação.

Na perspectiva desta concepção, podemos vislumbrar os seguintes passos necessários:

a) identificação do que vai ser avaliado,

b) constituição, negociação e estabelecimento de padrões,

c) construção de instrumentos de medida e da avaliação,

d) procedimentos de medida e da avaliação,

e) análise dos resultados e tomada de decisão quanto aos passos seguintes no processo de aprendizagem.

TIPOS DE QUESTÕES DISSERTATIVAS

relacionar ou enumerar

é uma exposição que exige apenas recordação, sendo uma forma simples de resposta livre

organizar

Exige lembrança de fatos, mas de acordo com critério (cronológico, causa e efeito.), sendo mais complexo que o anterior. Neste caso, os elementos após organizados devem assumir uma estrutura

selecionar

Supõe uma escolha fundamentada em normas de julgamento ou apreciação, a resposta exige avaliação, de acordo com critérios pré- estabelecidos

descrever

Solicita a exposição das características de um fato, objeto, processo ou fenômeno

analisar

É mais que uma simples descrição, porque supõe uma análise em que o aluno expõe suas idéias, questiona, apresenta argumentos a favor ou contra e estabelece o relacionamento entre fatos ou idéias

A resposta requer estruturação cuidadosa e propicia diferente abordagens do problema

Definir

Consiste em enunciar os atributos essenciais e específicos de um objeto, fato ou processo ou fenômeno, indicando categorias a que estaria associado. O aluno deve usar as próprias palavras

exemplificar

Consiste em confirmar uma regra ou demonstrar uma verdade, exigindo a aplicação de um conhecimento aprendido. O aluno não deve apenas apresentar definições e enunciar leis ou princípios, mas aplicar o conhecimento, dando uma contribuição pessoal

explicar

Consiste em elucidar a relação entre os fatos ou idéias, a ênfase deve recair na relação causa e efeito

comparar

Consiste numa análise simultânea de objetos, fatos, processos, fenômenos, para determinar semelhanças e diferenças e indicar relações. A resposta exige planificação e organização de idéias. O item pode ser enunciado de várias formas, sem necessariamente usar o termo comparar, solicitando a apresentação de vantagens ou desvantagens, semelhanças e diferenças

Sintetizar/esquematizar

Consiste em fazer um resumo, expor de forma concisa uma idéia ou assunto/ o esquema ou esboço é uma espécie de síntese, mas exige uma organização do assunto em tópicos e subtópicos, dando ênfase á relações entre os elementos

Interpretar

Consiste em analisar o significado das palavras, texto ou idéias ou compreender as intenções de um autor

criticar

Consiste em julgar e supõe análise crítica. O aluno deve avaliar idéias textos, livros, tendo por base padrões ou critérios para proceder uma análise

PARA APRECIAÇÃO DA PRÓPRIA ATIVIDADE DO DOCENTE

Assistência à classe como um todo

O professor deverá observar o tipo de assistência prestada a aprendizagem do conteúdo:

- proporção do tempo de aula ocupado com exposição, incluindo documentação, ilustração e diálogo sobre o assunto estudado,

- proporção do tempo de aula utilizado por alunos para comunicação, exposição ou explicação para a classe de assuntos correlatos, de seu interesse e seu domínio,

- proporção do tempo de aula utilizado para atividades e trabalhos em grupo, discussão exploração, planejamento e realização de tarefas grupais pelos alunos,

- proporção de tempo de aula empregado em exercícios, verificações e avaliações individuais,

- proporção de tempo de aula utilizado em atividades e discussão de assuntos de interesse para formação geral e pessoal dos alunos,

- proporção de tempo de aula ocupado com avisos, instruções e observações de natureza geral, não referentes ao tema ou assunto sendo estudado,

- proporção de tempo de aula perdido por atrasos, incidentes, desvios e assuntos laterais.

Assistência à aprendizagem individual

Apreciar o tipo de assistência colocada à disposição dos alunos para estimular estudo independente e aprendizagem em ritmo próprio (funções tanto do professor quanto da coordenação pedagógica)

- guias para estudo independente e de auto instrução,

- textos introdutórios simples e aliciantes para estimulação do interesse,

- lista de definições de termos, expressões e conceitos básicos à compreensão do assunto,

- bibliografia complementar anotada e comentada,

- questões, perguntas, problemas e situações estimulantes para aplicação prática de aprendizagens adquiridas, ou ampliação e aprofundamento dos assuntos estudados,

- projetos e planos individuais de trabalho

Assistência à aprendizagem pela interação grupal

Apreciar a quantidade e a qualidade das oportunidades oferecidas pelos alunos p/ a interação produtiva, e enriquecimento curricular, independente do trabalho regular em sala de aula:

- apresentação de idéias para tarefas e projetos a serem realizados pelo grupo,

- provisão de momentos para discussão e arejamento de temas desenvolvidos em sala de aula,

- oportunidades para os grupos planejarem e criarem novas situações de aprendizagem

- valorização de iniciativas grupais

BIBLIOGRAFIA

HAYDT, R.C. Curso de Didática Geral. São Paulo: Ática ,1997

PERRENOUD, P. Dez Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000

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