quinta-feira, 6 de novembro de 2008

TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Ana Lúcia Portella Staub

ENFOQUES TEÓRICOS À APRENDIZAGEM E AO ENSINO

O ensino visa aprendizagem. Schimitz a descreve como sendo "um processo de aquisição e assimilação, mais ou menos consciente, de novos padrões e novas formas de perceber, ser, pensar e agir". Alguns preferem definir aprendizagem como sendo a aquisição de novos comportamentos. Existem hoje muitas teorias sobre a aprendizagem.
Uma teoria é uma tentativa humana de sistematizar uma área de conhecimento, uma maneira particular de ver as coisas, de resolver problemas.
Uma teoria de aprendizagem é, então, uma construção humana para interpretar sistematicamente a área de conhecimento que chamamos aprendizagem (Moreira, 1999).
O conceito de aprendizagem tem vários significados não compartilhados. Algumas definições incluem: condicionamento, aquisição de informação, mudança comportamental, uso do conhecimento na resolução de problemas, construção de novos significados e estruturas cognitivas e revisão de modelos mentais. Estes conceitos de aprendizagem e ensino são expressos em três principais enfoques teóricos: Comportamentalista, Cognitivista e Humanista.
A familiarização com as principais teorias de aprendizagem, salientando principalmente a influência das mesmas no processo ensino-aprendizagem, pode auxiliar na compreensão das causas das dificuldades reveladas pelos alunos, identificando os fatores que para elas contribuem. Além disso, um melhor entendimento das teorias de aprendizagem pode contribuir com uma formação mais adequada de todos aqueles que participam do sistema educacional. É importante compreender o modo como as pessoas aprendem e as condições necessárias para a aprendizagem, bem como identificar o papel do professor nesse processo. Estas teorias são importantes porque possibilita a este mestre adquirir conhecimentos, atitudes e habilidades que lhe permitirão alcançar melhor os objetivos do ensino.
Na aprendizagem escolar, existem os seguintes elementos centrais para que o desenvolvimento escolar ocorra com sucesso: o aluno, o professor e a situação de aprendizagem.
As teorias de aprendizagem buscam reconhecer a dinâmica envolvida nos atos de ensinar e aprender, partindo do reconhecimento da evolução cognitiva do homem, e tentam explicar a relação entre o conhecimento pré-existente e o novo conhecimento. A aprendizagem não seria apenas inteligência e construção de conhecimento, mas, basicamente, identificação pessoal e relação através da
interação entre as pessoas.


ENFOQUE COMPORTAMENTALISTA - Jonh B. Watson (1878-1958) cunhou o termo behaviorimo para deixar claro que sua preocupação era com os aspectos observáveis do comportamento. O behaviorismo supõe que o comportamento inclui respostas que podem ser observadas e relacionadas com eventos que as precedem (estímulos) e as sucedem (conseqüências). São também chamadas teorias estímulo-resposta. Watson, Pavlov, Guthrie, Skinner e Thorndike, são os autores que mais se destacaram nesta linha de pensamento. O enfoque comportamentalista:
o Provê uma base para o estudo de manifestações que produzem mudanças comportamentais;
o Aprendiz é o ser que responde a estímulos fornecidos pelo ambiente externo;
o Limita-se ao estudo de comportamentos manifestos e mensuráveis controlados por suas conseqüências;
o Não considera o que ocorre dentro da mente do indivíduo durante o processo de aprendizagem;
o Aprendiz é visto como objeto.

ENFOQUE COGNITIVISTA - As teorias cognitivas tratam da cognição, de como o indivíduo "conhece"; processa a informação, compreende e dá significados a ela. Dentre as teorias cognitivas de aprendizagem mais antigas, destacam-se a de Tolman, a da Gestalt e a de Lewin. As mais recentes e de bastante influência no processo instrucional são as de Bruner, Piaget, Vygotsky e Ausubel. O enfoque cognitivista:
o Encara a aprendizagem como um processo de armazenamento de informações;
o Auxilia na organização do conteúdo e de suas idéias a respeito de um assunto, em uma área particular de conhecimento;
o Busca definir e descrever como os indivíduos percebem, direcionam a atenção, coordenam as suas interações com o ambiente;
o Como aprendem, compreendem e reutilizam informações integradas em suas memórias a longo prazo;
o Como os indivíduos efetuam a transferência dos conhecimentos adquiridos de um contexto para o outro;
o Para Vygotsky (1896-1934), o desenvolvimento cognitivo é produzido pelo processo de interiorização da interação social com materiais fornecidos pela cultura. As potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta durante o processo de ensino-aprendizagem;
o O sujeito é não apenas ativo, mas interativo, pois forma conhecimentos e constitui-se a partir de relações intra e interpessoais;
o Para Piaget (1981), a construção do conhecimento se dá através da interação da experiência sensorial e da razão;
o A interação com o meio (pessoas e objetos) são necessários para o desenvolvimento do indivíduo;
o Enfatiza o processo de cognição à medida que o ser se situa no mundo e atribui significados à realidade em que se encontra;
o Preocupa-se com o processo de compreensão, transformação, armazenamento e uso da informação envolvida na cognição.

o ENFOQUE HUMANÍSTICO - A idéia que norteia esta teoria está baseada no princípio do ensino centrado no aluno. Este possui liberdade para aprender, e o crescimento pessoal é valorizado. O pensamento, sentimentos e ações estão integrados. O autor humanista mais conhecido é Rogers. A teoria humanista:
o Vê o ser que aprende primordialmente como pessoa;
o Valoriza a auto-realização e o crescimento pessoal;
o Vê o indivíduo como fonte de seus atos e livre para fazer escolhas;
o A aprendizagem não se limita a um aumento de conhecimentos, ela influi nas escolhas e atitudes do aprendiz;
o O aprendiz é visto como sujeito, e a auto-realização é enfatizada.

DISCUSSÃO

O processo civilizatório e de humanização está em contínuo movimento, daí por que, de tempos em tempos, surgem novas idéias, novos conceitos que, não apenas representam esse movimento, mas também servem para impulsioná-lo.
O ensino, que recebe a responsabilidade social de promover a formação para a cidadania dos membros da sociedade, defronta-se com a necessidade de promover sua própria reorganização. Por outro lado, os educadores também vêem a necessidade de superar a fragmentação do ensino, e buscar uma atuação mais humana.
Dentro deste contexto agradeço a oportunidade de ter cursado a disciplina de prática educativa, que contando com o brilhantismo de seus organizadores, disponibilizaram momentos de reflexão acerca do papel de cada um de nós na (re)organização do ensino e a forma de praticá-lo.
Devo concordar com Moreira (1999) que as teorias de Ausubel, Novak e Gowin que propõe uma relação triádica entre aluno, materiais educativos e professor com objetivo de compartilhar significados, é um referencial para o dia-a-dia da sala de aula.


Referências Bibliográficas

- Zoboli, Graziela. Práticas de ensino. Ed Ática, 1991
- Gauthier, Chermont. Por uma teoria de pedagogia. Ed. Unijuí, 1998.
- Elkind, David- Crianças e adolescentes- ensaios interpretativos sobre Jean Piaget. Rio de Janeiro, Zahar, 1972.
- Moura, A. M.; Mohlecke, A. M. P. Q - As teorias de aprendizagem e os recursos da internet auxiliando o professor na construção do conhecimento. www.uel.br/seed/nte/as_teorias_de_aprendizagem_e_a_internet.htm
- Lück, Heloisa - Pedagogia interdisciplinar - Fundamentos teóricos- metodológicos. Ed. Vozes, 1999.

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