sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

AVALIAÇÃO DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM

Fazendo uma retrospectiva sobre seu processo de formação, você lembra como era avaliado? Concorda com os meios que eram utilizados? Qual a sua visão atual sobre a avaliação, fazendo um paralelo da sua época com a atual, será que houve mudanças?

Para abordarmos esse tema na contemporaneidade, é necessário fazermos uma viagem no processo histórico educacional, descobrindo o ponto inicial e/ou surgimento da avaliação para que tenhamos clareza e compreensão do porque o processo avaliativo “aterroriza” os indivíduos quando avaliados.

O que devemos compreender é que a avaliação deve estar coadunada com a realidade do educando e da escola, assim sendo, o processo de ensino-avaliado da aprendizagem demonstrará sucesso.

A conseqüência pedagógica centralizada nas provas e exames, deixa de cumprir a sua real função, que seria auxiliar a construção da aprendizagem de forma satisfatória secundarizando, assim, o significado do ensino.

Ao longo da história de educação moderna e de nossa prática educativa, a avaliação da aprendizagem escolar por meio de exames e provas foi se tornando um fetiche ganhando foros de independência da relação professor-aluno.

As provas e os exames são realizados conforme o sistema de ensino e o interesse do professor. Muitas vezes, não considerando o que foi ensinado como se nada tivesse a ver com a aprendizagem.

O medo é um fator importante no processo de controle social, pois gera a dependência, modos permanentes e petrificação de ações.

O castigo é um instrumento gerador do medo. Hoje sendo utilizado de forma mais sutil – o psicológico. A ameaça (previamente) é um tipo de castigo psicológico e as nossas instituições de ensino adotam esse tipo de avaliação da aprendizagem.

A pedagogia do exame traz conseqüências: pedagógicas, psicológicas e sociológicas.

Na conseqüência psicológica, a sociedade, através do sistema de ensino e dos professores, desenvolve formas de ser da personalidade dos indivíduos que aceitam as suas imposições, utilizando a avaliação da aprendizagem de modo fetichado porque tem utilidade para desenvolver a autocensura, que é a forma como os padrões externos cerceiam os sujeitos, sem que a coerção externa continue a ser exercitada.

O medo está ligado ao desconhecido. Ele é gerado pelo pensamento que quando não está certo de estar seguro o projeta gerando submissão.

No Brasil a avaliação da aprendizagem está a serviço de uma pedagogia dominante que serve a um modelo social dominante, podendo ser identificado como social liberal conservador, originado da estratificação dos empreendimentos transformadores que culminou na Revolução Francesa. As pedagogias hegemônicas, que se definiram historicamente nos períodos subseqüentes à Revolução, estiveram e ainda estão a serviço desse modelo social. Concomitantemente, a avaliação educacional em geral e a aprendizagem em específico, contextualizada dentro dessas pedagogias estão instrumentalizadas pelo mesmo entendimento teórico prático da sociedade.

A prática da avaliação escolar, dentro do modelo liberal conservador, obrigatoriamente será autoritária, exigindo controle dos indivíduos, seja pela utilização de coações explícitas ou por diversas modalidades de propaganda ideológica.

Enquanto a avaliação permanecer atrelada a uma pedagogia ultrapassada, a desistência ao estudo permanecerá e o aluno, o cidadão, o povo brasileiro continuará escravo de uma elite intelectual, voltada para os valores da matéria e ditadura, fruto de uma democracia opressora.

Na conseqüência sociológica, a sociedade é estruturada em classes e, portanto, de modo desigual, logo a avaliação pode ser posta sem dificuldade a favor da seletividade, assim a avaliação está mais articulada com a reprovação do que com a aprovação.

Avaliação Educacional no Contexto Autoritário


Pode-se caracterizar a avaliação como um juízo da qualidade do objeto avaliado, implicando em tomada de posição a respeito do mesmo, para aceitá-lo ou transformá-lo.
Segundo Luckesi, (1978), a avaliação é definida como: um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão. Após afirmativa de Luckesi, faremos uma análise dessa frase.

É preciso compreender que a frase exprime três elementos que oportunizam uma prática escolar baseada em atos arbitrários e autoritários. Contudo, dentre os três, um tem maior poder de impacto possibilitando ao professor enquanto “detentor” do conhecimento utilizar em suas ações educacionais um tipo de avaliação que lhe dê uma maior autoridade.

Salienta-se a importância de conhecer conceitos acerca da avaliação do ponto de vista de outros autores:
  • a avaliação educativa é um processo complexo, que começa com a formulação de objetivos e requer a elaboração de meios para obter evidencia de resultados, interpretação dos resultados para saber em que medida foram os objetivos alcançados e formulação de um juízo de valor.(Sarrabbi, 1971).

  • é um processo contínuo, sistemático, compreensivo, comparativo, cumulativo, informativo e global, que permite avaliar o conhecimento do aluno.(Juracy C. Marques, 1956).
  • a avaliação significa a uma dimensão mensurável do comportamento em relação a um padrão de natureza social ou científica. (Bradfield e Moredock, 1963).

Conforme os conceitos acima expressos, ficou evidenciado que os autores consideram-na como um processo e não como condição que produz dinamismo à prática escolar, pois diagnóstica uma situação e permite modificá-la de acordo com as necessidades detectadas. Pode-se também relacionar como dificuldade a ausência de orientação na elaboração de um programa de avaliação.
Enquanto a avaliação estiver voltada para o aluno, sem haver um despertamento, uma conscientização para as necessidades de uma nova metodologia e uma inclusão da própria escola neste processo, a qualidade do ensino permanecerá comprometida.


Porquanto, uma vez contestado este fator, passamos a ter professores e a escola no papel de investigadores da melhor situação para avaliar, as mais eficientes formas de coleta e sistematização dos dados, sua compreensão e utilização além do processo mais eficiente de capacitação dos professores em avaliação.


Segundo Bloom, a avaliação escolar está pautada em modalidades de avaliações que são seguidas na prática docente por profissionais de educação.



Modalidades de avaliação



Evidencia-se, portanto, a necessidade de se questionar: O que deve ser avaliado? Quando fazer a avaliação? Quem deve fazer a avaliação? Que instrumental pode ser usado para coletar e registrar informações? O que se pode fazer com as informações obtidas?



..Avaliação Diagnóstica



Visa determinar a presença, ou ausência, de conhecimentos e habilidades, inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. Permitindo averiguar as causas de repetidas dificuldades de aprendizagem. Normalmente se faz quando o aluno chega à escola, em geral no início do ano letivo, durante as primeiras semanas para observar e conhecer características relevantes do aluno; chegada de novo aluno para saber onde enturmá-lo e como recuperar a falta de base ou de pré-requisitos; no início de cada unidade para provocar interesse pelo tema e identificar o que já sabem sobre o assunto.


Podendo ser feita em qualquer momento que o professor ou a escola detectarem problemas graves de aprendizagem, motivação e aproveitamento.


Alunos e professores, a partir da avaliação diagnóstica de forma integrada, reajustarão seus planos de ação fazendo uma reflexão constante, crítica e participativa.


Como avaliar diagnosticamente?


Entrevistas com alunos, ex-professores, orientadores, pais e familiares;


Exercícios ou simulações para identificar colegas com quem o aluno se relaciona ;


Consulta ao histórico escolar/ficha de anotações da vida escolar do aluno;


Observações dos alunos, particularmente durante os primeiros dias de aula;


Questionários, perguntas e conversa com alunos;



..Avaliação Formativa ou Processual



É realizada com o propósito de informar o professor e o aluno sobre o resultado da aprendizagem, durante o desenvolvimento das atividades escolares. Localiza deficiências na organização do ensino-aprendizagem de modo a possibilitar reformulações no mesmo e assegurar o alcance dos objetivos.


É denominada formativa porque demonstra como os alunos estão se modificando em direção aos objetivos.


A avaliação formativa ou processual pode ser feita de maneira contínua e informal, no dia-a-dia da sala de aula, e pode também ser feita em oportunidades regulares, incluindo o uso de instrumentos mais formais como sabatinas, testes, provas, apresentações de relatórios de trabalhos, competições e jogos.


Quando realizar e como avaliar?


Diariamente: ao rever os cadernos, o dever de casa, fazer e receber perguntas, observar o desempenho dos alunos, nas diversas atividades de classe;


Ocasionalmente: por meio de provas ou outros instrumentos, mais ou menos formais, Periodicamente: utilizando testes ao final de cada sub-unidade, unidade, projeto, para aferir a aprendizagem e outros desempenhos dos alunos;


Para que avaliar?

  • Para corrigir rumos, rever, melhorar, reformar, adequar o ensino de forma que o aluno atinja os objetivos de forma de aprendizagem;
  • Obter as evidências que descrevem o evento que nos interessa;
  • Estabelecer critérios e os níveis de eficiência para comparar os resultados.

..Avaliação Somativa



É uma decisão que leva em conta a soma de um ou mais resultados. Normalmente refere-se a um resultado final – uma prova final, um concurso, um vestibular. Nas escolas, de um modo geral, a avaliação somativa é a decisão tomada no final do ano para deliberar sobre a promoção de alunos.


É usada, tipicamente, para tomar decisões a respeito da promoção ou reprovação dos alunos que não obtiveram êxito no processo de ensino-aprendizagem.


Como avaliar?


Existem três formas mais usadas de avaliação somativa:


  • uma prova ou trabalho final;

  • uma avaliação baseada nos resultados cumulativos obtidos ao longo do ano letivo;

  • uma mistura das duas formas acima.



Avaliação Educacional para Humanização



Ser mestre é educar, e educação é sinônimo de: fé, amor, sabedoria, ação, participação, construção, transformação, problematização, criação e realização.


A avaliação educacional em geral e a avaliação da aprendizagem escolar em específico são meios e não fins em si mesmas, estando deste modo delimitadas pela teoria e prática que as circunstancializam .


Entende-se que a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico do mundo e da educação, traduzido em prática pedagógica.


A atual prática da avaliação escolar estipulou como função do ato de avaliar a classificação. Esta se constitui num instrumento estático e frenador do processo de crescimento. Esse fato se revela com maior força no processo de obtenção de médias de aprovação ou médias de reprovação. Para um verdadeiro processo de avaliação, não interessa a aprovação ou reprovação de um educando, mas sim sua aprendizagem e, conseqüentemente, o seu crescimento.


O ideal de avaliação na prática pedagógica escolar é a com função diagnóstica, ela constitui-se no momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação, do crescimento para a autonomia e competência e habilidades, portanto, ser inclusiva, enquanto não descarta, não exclui, mas sim convida para a melhoria, visando a transformação do indivíduo conseqüentemente da sociedade.


Essa prática não significa menor rigor na prática da avaliação, mas um rigor técnico e científico. Nesta visão, garante ao professor um instrumento mais objetivo de tomada de decisão. Em função disso, sua ação poderá ser mais adequada e mais eficiente na perspectiva da transformação, pois “avaliar é movimento, é ação e reflexão”.



Verificação ou Avaliação



Nesse texto, far-se-á uma análise crítica da prática avaliativa, identificando-a com o conceito de verificação ou avaliação dando possibilidades de encaminhamentos coerentes e consistentes acerca do assunto.


Verificação surge do latim: verum facere – e significa “fazer verdadeiro”. O processo de verificar configura-se pela observação, obtenção, análise e síntese dos dados ou informações que delimitam o processo ou ato com o qual se está trabalhando. Já a avaliação, também se origina do latim: a-valere que quer dizer “dar valor a...”. Esse ato implica coleta, análise e síntese dos dados que configuram o objeto da avaliação, acrescido de uma atribuição de valor ou qualidade.


Verificação e avaliação da aprendizagem representam dois aspectos do mesmo fenômeno, que é o de saber como se está efetuando a aprendizagem comportamental do educando e resultante do processo ensino-aprendizagem.


Verificação é um processo de constatação, de contagem; logo, é um processo quantitativo. É a fonte que fornece dados a respeito da aprendizagem efetivada pelo educando.

Na prática do aproveitamento escolar, os professores realizam, basicamente, os seguintes procedimentos: medida do aproveitamento escolar, transformação da medida em nota ou conceito e utilização dos resultados identificados.



Medida do aproveitamento escolar



A medida é uma forma de comparar grandezas, tomando uma como padrão e outra como objeto a ser medido, tendo como resultado a quantidade de vezes que a medida padrão cabe dentro do objeto medido.


Nas instituições, os resultados da aprendizagem são obtidos, de início, pela medida, variando a especificidade e a qualidade dos mecanismos e dos instrumentos utilizados para obtê-la. Os professores utilizam como padrão de medida o acerto de questões e a medida dá-se com a contagem dos acertos do educando sobre um conteúdo, dentro de um certo limite de possibilidades equivalente à quantidade de questões que possui o teste, prova ou trabalho dissertativo. Em um teste com dez questões, o padrão de média é o acerto e a extensão máxima possível de acertos é dez. Em dez acertos possíveis, um aluno pode chegar ao limite máximo dos dez ou a quantidades menores. A medida da aprendizagem do educando está relacionada à contagem das respostas certas que lançadas sobre um determinado conteúdo que se esteja desenvolvendo.


Normalmente, na prática escolar, os acertos nos testes, provas ou outros meios de coleta dos resultados da aprendizagem são transformados em “pontos”, o que não altera o caráter de medida. Logo, o padrão de medida passa a ser pontos. A cada acerto corresponderá um número de pontos previamente estabelecidos.

Os professores, em suas aulas, para coletar os dados e proceder à medida da aprendizagem dos educandos, apropriam-se de instrumentos que variam da observação até sofisticados testes, gerados segundo normas e critérios técnicos de elaboração e padronização.

Avaliação é o processo de ajuizamento, apreciação, julgamento ou valorização do que o educando revelou ter apreendido durante um período de estudo ou de desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Sendo assim, não pode haver avaliação, sem que antes tenha havido verificação. Verifica-se antes de avaliar.

Após leitura e compreensão do texto, cabe questionar se o processo de medir utilizados pelos professores na sua prática, tem as qualidades de uma verdadeira medida.
Nesse momento com o resultado em mãos, o professor tem diversas possibilidades de utilizá-lo, tais como:
  • registrar simplesmente num diário de classe ou caderneta de alunos;
  • atentar para as dificuldades e desvios da aprendizagem do educando, ajudando a superar na construção efetiva da aprendizagem;
  • oferecer ao educando, caso ele tenha obtido uma nota ou conceito inferior, uma “oportunidade” de melhorar a nota ou conceito.


Se o educando possui uma nota ou conceito de reprovação diante dos dados verificados, poderá ocorrer simplesmente um registro no diário ou ele terá uma “oportunidade” para melhorar seu conceito. Porém, não é para que o educando estude a fim de aprender melhor, mas estude “tendo em vista a melhoria da nota”.


Estudar para melhorar a nota, não possibilita uma aprendizagem efetiva?


Quanto a estar atento às dificuldades do educando, esta não tem sido conduta habitual dos educadores nas escolas, normalmente preocupam-se com a aprovação ou reprovação do indivíduo. E nas ocasiões em que se possibilita uma revisão dos conteúdos é para “melhorar” a nota do educando e, conseqüentemente, aprová-lo.


Propõe-se que a avaliação do aproveitamento escolar seja praticada como uma atribuição de qualidade aos resultados da aprendizagem dos educandos, tendo por fim seus aspectos essenciais e, como objetivo, uma tomada de decisão que direcione o aprendizado e, concomitantemente, o desenvolvimento do educando.

É importante que tanto a prática educativa como a avaliação sejam direcionadas com um determinado rigor científico e técnico, para que se tornem um instrumento subsidiário e significativo em prol do desenvolvimento do educando.

2 comentários:

Claudia disse...

Exelente postagem!

LIANNNE disse...

Excelente abordagem,serviu de base para meus estudos para o concurso o qual irei fazer domingo dia 26.